Eu vou te contar que você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você. Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. Quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome e eu tenho. Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é, porque eu, eu não sou o meu nome e você não é ninguém.
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. Eu quero que você me veja a mim. Eu me dispo da notícia e a minha nudez parada te denuncia e te espelha. Eu me delato. Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim, me livro das palavras com as quais você me veste...
(Fauzi Arap)
Texto do Fauzi Arap. Diretor de teatro. A interpretação fica perfeita na voz de Maria Bethânia, que gravou essa poesia no disco Pássaro da Manhã, em 1977.
imagem: http://docilitate.wordpress.com


2 comentários:
Querida, obrigada por estar me seguindo, mas não consegui fazer o mesmo, deve ser por algum problema com uma peçinha que está atrás do compudador... Amanhã tentarei de novo....
Abraços
TERESA CORDIOLI
www.a-vida-em-versos.blogspot.com
Sem problemas.
Gostei muito do seu blog... Adorei seus escritos...
Seja bem-vinda!
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